Poesia

O animal racional

O animal racional me encontrou nas ruas
Me olhou, pensou, logo existiu
Chegando à conclusão de que a minha existência era nula

Mediu-me de cabo a rabo
E concluiu que eu era mais rabo que caput
Que eu não caibo
Que não sou ratio

O animal racional
Diz que quer me ver
Mas só na cama
Escreve o meu nome
No lodo, na lama
Onde a água pútrida
O vem apagar

O animal racional,
Ele não me ama
O amor, ele diz,
É coisa de louca, mucama
(Coisa de gente não-sólida
E que se desfaz no ar)
Que vive de réstia,
No limbo,
A vagar.

©Aline Djokic, 2017