Criação

Ao esvaziar-me faço me plena
Literadura
Onde a minha liberdade poética
Finca raízes
Onde me dissolvo em símbolos
E deixo de ser
Para ser eu

Radicais,,,,,,, e mais vírgulas
Sufixadas debaixo da minha pele
……. de interrogação
Teses, antíteses de mim
Eu mesma
Materializando-me no tronco
Invadindo as ramificações
Caindo da árvore
Fruto da minha imaginação.

Madura

Indeiscente
quero que me colhas o fruto
antes que o pericarpo apodreça
que as tuas mãos afastem a pele fina
e a tua língua adentre a carne
úmida do suco que envolve a semente

e que ma arranques
com a pressão dos teus lábios
extasiados       banhados
pela explosão da minha semente:
samambaia fecunda.

©Aline Djokic, 2017