Poesia

Sci-Fi

Quando ela saía às ruas
Os olhares eram as luzes frias
Duma mesa imensa
Dum Instituto Médico Legal

Mãos invadiam o seu corpo:
Como você lava esse cabelo?
E de costas sobre a mesa
Ela tentava se lembrar:
Quem podia reponder a essa pergunta,
O corpo ou a mente?

Olhares-bisturis, palavras-serras
Separando, abrindo, o seu torso
Quantas vezes hoje
Lhe tinham arrancado o coração
Repousando-o na balança?

Será que eles sabiam que ela ainda estava viva?

Dois holofotes lhe cegaram os olhos
O doutor devia estar fixando o seu rosto
Pois lhe dizia:
Você é uma negrinha muito bonita.

©Aline Djokic, 2017

 

 

 

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