Poesia

Carolina Maria de Jesus

As minhas mãos estão cansadas
Calos calam a mão calejada
Ontem catei papel, não trouxe nada
Os filhos com fome, tanta desgraça

Cadê a caneta, com a qual desenho o céu
No papel de pão?
Estrelas nas palavras d’um cordel
Cordel que movimenta o meu coração selvagem
Preso na imagem daquela que não pode

Cato uma caneta, cato um papel
Com as minhas palavras desenho um novo céu

As minhas mãos conhecem a dor
O amor… conhecem tudo!
O que escrevo, o que sinto
Trago guardado nas histórias
Meu inteiro mundo

Toco-me o rosto
Lágrimas a desfazer
A mulher que eu só conheço
Que só eu sei ser.

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