Poesia

Toda Mulher Tem Um Útero

Toda mulher tem um útero
De onde ela se expele dia após dia
E de onde ela se aborta
Por medo de não poder ser.

O útero que eu trago no meu ventre não é meu.
Ele comportará outro ser ou não o comportará,
Mas comportando-o, um dia o expelirá
Porque ele não é eu e não é meu.
Esse útero poderá se repreencher de outros
E de mais outros,
Mas jamais de mim mesma.

O meu útero mora na minha mente,
Onde teço escondida e arredia como uma aranha,
O que e quem eu sou.

Me teço durante as noites,
Me expilo pela manhã.
Me desfaço durante o dia,
No mundo que me mata,
Me assassina,
Me elimina nas mensagens,
Nos códigos de etiquetas
E nas etiquetas que não me descrevem.

Eu chego em casa sem mim
E durante a noite me refaço.
Enquanto dormem os outros, eu me gero.
Me vejo e não me imagino.
Me vejo e gosto de mim.
É essa quem eu sou.
É essa a mulher que eu insisto em renascer.

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