Poesia

Carnívora

Carnívora,
Alimento-me exclusivamente de mim
Da minha carne
E de imagens que de mim faço

Não é de sonhos que eu vivo
Não,
é muito viva a minha imagem
refletida nas outras

Cai um corpo?
Apodrece?
Sobrevive um corpo?
É mutilado?
É o meu
E eu o como

Essa ração impura
Essa ração rechaçada pelos outros
Essa ração que adentra a sala de jantar
Com a bandeja nas mãos

Sou eu quem serve
À carne que me devora
Sou eu quem serve
O banquete ao qual eu não fui convidada

Sou eu quem, depois, no cubículo-quarto,
Devora vagarosamente a própria carne proibida.

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