Poesia

Romance

Toco as teclas do meu teclado
Toco-as
As afago

Roço as teclas do meu teclado
a sentir nos dedos abrirem-se
os botões

Discorre-me lânguida a narrativa
afrouxa-me os membros
e enreda-me os sentidos

Invoco símbolos cadentes
Metamorfose diegética
onde o encontro das minhas mãos formam a letra V
verdejando o relicário terno e trêmulo

Digito célere
códigos Morse

Movimentos circulares e
movimentos frenéticos
que são interrompidos por espasmos,
pelo som liquefeito
e gemido
que me sai da boca

Fim do primeiro capítulo.

Poesia

Liturgia

A mulher violentada
no crucifixo do artista cartunista
a mulher-cristo,
caricatura da santa missa
virtual:
Rogai por nós, pecadores!

A mulher-cristo-crucificada
Comentários espinham a memória
da mulher-messias
Emanuel ou Emmanuelle?
Profetisa ou profana?

Compartilhamentos postulam:
Pai, afasta de mim este cálice!
E: Por que nos abandonaste?
Enforca-se um Judas ou outro,
enquanto envergonham-se Pedros
por terem três vezes negado a Cristos

Alguns dias depois,
Marias Madalenas e Salomés esvaziarão o sepulcro
não tardando a atualização de um novo Gólgota.

Poesia

Gramática normativa

E era toda a terra de uma mesma língua
e de uma mesma fala

E disseram uns aos outros: Eia,
façamos tijolos e queimemo-los bem
Eia, edifiquemos nós dentro da cidade e que nossas torres
alcancem os arranha-céus
para que não sejamos espalhados
sobre a face de toda a terra longe
do saneamento básico e das políticas públicas

Então desceram os senhores para verem as torres
que os filhos dos homens edificavam na cidade

E os senhores disseram: Eis
que o povo é um,
e todos têm uma mesma língua
e isto é o que começam a fazer
e agora não haverá restrição para tudo
o que eles intentarem fazer

Eia desçamos e confundamos ali a sua língua
Para que não entenda um a língua do outro.

 

 

 

 

 

Poesia

Criação

Ao esvaziar-me faço me plena
Literadura
Onde a minha liberdade poética
Finca raízes
Onde me dissolvo em símbolos
E deixo de ser
Para ser eu

Radicais,,,,,,, e mais vírgulas
Sufixadas debaixo da minha pele
……. de interrogação
Teses, antíteses de mim
Eu mesma
Materializando-me no tronco
Invadindo as ramificações
Caindo da árvore
Fruto da minha imaginação.

Poesia

Erupta

Quando a mulher era uma ilha vulcânica
ela abria as pernas e sua vulva
relaxada exalava magma

O homem era um náufrago perdido nas águas

Pelas ondas arrojado,
o homem escalou os dois montes-seios
Estupefato provou do leite salino que deles saíam
Do alto da montanha
viu o homem que a mulher não estava só:
Era um arquipélago

E o homem temeu a cordilheira superfície da mulher.